O video: evolução dentro da Copa 2010. Transmissões que apresentam um espetáculo aos olhos do mundo. Estamos na CopaHD, isso é um fato. A tecnologia do video entrou em campo e transformou jogos pífios em grandes momentos nesse mundial. Agora, onde a fotografia entra nessa?
Atrevo a dizer que nada acrescentou. Vemos as mesmas imagens há tempos, mudando apenas as personagens. Engraçado, pois aqui no Brasil a fotografia do futebol é variada, criativa ao extremo, principalmente no sul do país. Claro, admiro a fotografia em um espectro amplo, como a que é feita em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná… enfim, o Brasil tem uma excelente fotografia.
O ponto no qual quero chegar é que a fotografia da Copa está PASTEURIZADA. Sim, longe do vídeo inovador, a fotografia atual está empobrecida. Porque…
1)… a FIFA não permite que os fotógrafos levantem seus traseiros de suas bancadas numeradas à beira do campo. Ou seja, no momento do gol, quando o jogador comemorar com sua torcida, aquele que estiver sentando na melhor posição, ter a melhor tele 400mm 2.8 de sei lá quando mil dólares e, como diz Bresson, estar com um pouco de sorte, conseguirá a foto que percorrerá o mundo. Aquelas fotografias ímpares como as feitas em 54, 62, 66, 70 e 86, produzidas com grande angular ou com lentes normais, na qual o fotógrafo precisava “se mexer’ para guardar esse momento preciosíssimo que é a Copa do Mundo, pouco existem;
2)… quando referi que a fotografia brasileira é criativa, não estava adjetivando. Basta olhar as capas dos jornais todas as segundas-feiras, quando os campeonatos estão em ação, para ver o que estou dizendo. Aqui, quero chegar a uma questão histórica, que requerirá algumas linhas.
Há cerca de vinte e poucos anos o fotojornalismo brasileiro atravessava sua época áurea, na qual fotógrafos eram enviados às pencas para coberturas como Copa do Mundo, Olímpiadas e reportagens gostosamente relevantes para o jornalismo de nosso país. O corpo fotográfico de um jornal/revista era vasto, podendo chegar a 40/50 fotógrafos. Quantos profissionais do fotojornalismo estão empregados em um jornal atualmente? Vinte, oito? Cuidado com a vírgula, muitos jornais tem esse contigente. Hoje admiro, principalmente, o empenho dos grandes grupos jornalísticos como RBS e Globo, Band, Folha, Estadão… me chama a atenção a Rádio Gaúcha, que enviou vinte e tantos profissinais para transmitir a história; quantos mais jornalistas e técnicos estão trabalhando para a televisão brasileira mostrar sua característica de transmissão ao Brasil?… Quantos profissionais da mídia impressa estão agora no país da Copa transmitindo suas impressões através da escrita? Posso dizer que muitos, de verdade. E quanto a fotografia? Qual o número de profissionais que nossas emissoras e redes de comunicação enviaram para produzir um material singular pertencente ao nosso fotojornalismo? A RBS (Zero Hora) aqui do sul enviou um (1) fotógrafo, e retomo o discurso que temos alguns dos melhores fotojornalistas do país… e enviou-se um (1) fotógrafo. A Folha, Estadão, O Globo, Jornal do Brasil, quantos estão lá congelando instantes? Não há como mostrar um fotojornalismo que não seja PASTEURIZADO. Ao acessar as capas on-line para vê-se quem está lá representando esses veículos.
3)… não há como fugir das agências. Sim, são mais em conta. Enviar um fotógrafo é muito mais caro do que comprar uma foto de agência. Nada contra elas… e escrevo verdadeiramente, pois trabalho para elas. Mas tenho saudades da época em que o fotojornalista era peça fundamental para o funcionamento do jornal/revista. Queria ter vivido aquele momento. Quando o bixo pega, ele e o repórter são os primeiros a chegar e fazer o resgistro. Quando o filé se apresenta à mesa (filé aqui é Copa etc) jornais e revistas contribuem para a pasteurização, barateando custos ao comprar um produto que, ao mesmo tempo, todo o jornalismo mundial tem em mãos. A criatividade dos nossos fotojornalistas fica em casa. Há espaço para todos, porém o jornais/revistas fazem questão de não preenchê-lo.
O que importa aqui não é questão econômica, mas sim FOTOJORNALÍSTICA. Necessitamos fugir apressadamente dessa mesmice, dessa falta de opinião e desse embaçamento do ponto de vista. Se a restrição de trabalho é imposta, faz-se necessário encontrar uma forma inventiva de escapar do atual marasmo fotográfico. Uma maneira sempre há!








