Texto & Fotografia por Tárlis Schneider
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No centro de Porto Alegre batidas de tambores e cantos de protesto. É quinta-feira, sem as chuvas de outubro. Não são grevistas dos bancos, nem integrantes do CPERS, muitos menos alguém do MST. Os gritos por uma educação melhor e menos corrupta vêm das indignadas gargantas de estudantes.

O tempo de calar-se no Brasil passou. Hoje protestamos como outras democracias, em que a voz do povo tem sim grande força de expressão, e reverbera pelas cidades como nunca antes ocorrera.
O que eles gritavam? Por que estavam caminhando no centro da capital cantando e levando cartazes de cartolina e papel pardo de rolo consigo? A resposta é digna e toma respeito de todos que observam. Agora, o protesto estudantil quer o respeito do governo e punição daqueles que burlaram a prova do Enem em razão de uma miserável quantia de dinheiro. Como ficam os estudantes que dependem do exame para ingressar no sonho da universidade? Um ano de estudos que vai pelo esgoto.

A palavra gritada “Desorganização e vergonha mil, o Enem é o maior circo do Brasil” toma conta por onde passam. Os tambores, apitos e palmas dos 300 participantes da caminhada chamam a atenção quanto a falta de organização que o MEC translucida. Reunidos na Esquina Democrática, alunos de escolas particulares, públicas e de cursos pré vestibulares protestam sem nenhum tipo de apoio político; não há grêmios estudantis envolvidos. Os únicos envolvidos são, na essência, os alunos. Representam os 4 mi de alunos brasileiros que não sabem como será o Enem, muito menos seu futuro acadêmico. Por si só, cada um coloca o nariz de palhaço, empunha seu cartaz e vai à rua protestar. Caminham pela Andradas, passam pelo Piratini, seguem até a UFRGS e finalizam sua marcha na reitoria da univesidade federal gaúcha.
Em paz, vão acompanhados pela surpresa Brigada Militar, pois não esperavam tal levante. É prova que a democracia brasileira, hoje amadurecida, é capaz de suportar críticas sem violência.